Organização como Expressão Criativa e Cognitiva
Uma dimensão essencial do meu percurso acadêmico e pessoal, que desejo registrar neste portfólio, é o meu interesse profundo — desde a infância — pela organização. Para mim, organizar não é apenas um hábito funcional, mas uma prática criativa, estética e cognitiva, que me ajuda a estruturar o mundo interno e externo.
No contexto do meu processo de aprendizagem e desenvolvimento neurodivergente, a organização se manifesta como um hiperfoco que conecta diversas áreas do meu estudo, inclusive as artes visuais, o design digital e a gestão de informações.
Organização Digital e Design de Interfaces
Customização de dispositivos digitais: Desde o ensino fundamental, desenvolvo layouts personalizados para tablets e celulares, tanto meus quanto dos meus familiares. Pesquiso sobre design de interfaces Android e aplico conhecimentos de usabilidade, estética visual e lógica de agrupamento de ícones e aplicativos, criando ambientes digitais funcionais e visualmente agradáveis.
Letterboxd: Criei meu perfil no Letterboxd como ferramenta para organizar minha experiência cinematográfica. Estruturei listas com critérios visuais e temáticos — algumas ordenadas por cores, outras por cronologia ou estilo — o que me permite analisar padrões, preferências e conexões narrativas entre os filmes.
Goodreads: Utilizo a plataforma para catalogar minhas leituras, especialmente HQs, criando listas que facilitam tanto meu processo de lembrança quanto meu planejamento de novas leituras. Isso integra meu interesse literário com habilidades de organização digital.
Blogs Educacionais: Atuei na organização dos meus próprios portfólios digitais, incluindo o Blogger do Ensino Fundamental, o do Clube de Estudos e o atual portfólio do High School. Estruturei menus, links, sequências de posts e padronização visual, sempre buscando criar uma experiência clara para quem navega pelos meus registros.
Organização Física e Estética
Quarto e Espaços Pessoais: Planejei todo o layout do meu quarto, escolhendo a paleta de cores neutras para paredes, móveis, tecidos e objetos decorativos. Considero a harmonia visual dos espaços como parte da organização, pois me ajuda a manter a mente tranquila e facilita meu foco em outras atividades criativas.
Guarda-Roupa Cápsula: Realizei pesquisas aprofundadas sobre guarda-roupa cápsula, estudando estilos, tipologias corporais e versatilidade de peças. Organizei meu guarda-roupa de modo funcional e estético, reduzindo o número de peças, mas aumentando a variedade de combinações possíveis. Para mim, esse processo também é um exercício de design, coerência visual e praticidade. Eu também preparo moodboards para a minha mãe e meu irmão, coloquei uns exemplos abaixo.
Impacto no Meu Aprendizado
Meu hiperfoco em organização não é algo separado das minhas áreas de estudo. Ao contrário, ele atravessa todas elas:
No desenho e arte digital, aplico conceitos de composição, alinhamento, hierarquia visual e seleção de paletas cromáticas, tanto no papel quanto em dispositivos digitais.
Nas linguagens digitais, organizo arquivos, bancos de imagens, bibliotecas virtuais e redes sociais, usando princípios de categorização e design de interface.
Nos estudos sociais e culturais, percebo como a organização de informações impacta narrativas e experiências, seja ao apresentar trabalhos acadêmicos ou ao planejar publicações digitais.
Registrar essa dimensão do meu percurso acadêmico é importante para mim, pois organizar é, acima de tudo, meu modo de compreender e dialogar com o mundo. Além disso, é uma competência prática que pretendo desenvolver ainda mais nos próximos semestres, integrando-a a projetos de design digital, gestão de conteúdo e experiências visuais interativas.
Para saber mais sobre meus processos de organização, escrevi algumas reflexões abaixo, onde conto em detalhes como organizo minhas ideias, meus espaços e meus projetos criativos.
Sobre o meu Letterboxd:
→ como foi o meu processo de escolher categorias, cores, listas cronológicas, e o que eu senti quando fiz isso.
Desde pequena, eu percebi que minha cabeça gosta de agrupar as coisas em listas, cores e categorias. Quando comecei a assistir muitos filmes, senti que precisava encontrar um jeito de não só lembrar dos títulos, mas também das sensações que eles me traziam. O Letterboxd virou meu lugar seguro para isso.
Organizo meus filmes em listas diferentes: algumas por cores dominantes dos filmes, outras por cronologia ou pelos sentimentos que me causam, como “Filmes que me aquecem o coração” ou “Filmes que me deixam pensando por dias”. Isso não é só uma mania de deixar tudo arrumado — é o meu jeito de transformar memórias em algo visível. Cada lista é quase como um mural emocional, onde consigo ver padrões sobre quem eu sou, o que me toca e o que me fascina.
Refletir sobre isso me faz perceber que, para mim, organizar não é apenas colocar ordem no caos. É dar sentido às minhas experiências. E ter essas listas me ajuda a conversar sobre cinema com outras pessoas, a me sentir menos sozinha nas minhas paixões e a descobrir coisas novas que me encantam.
Sobre customizar os tablets da minha família:
→ quais apps eu usei, o que pesquisei, como pensei a paleta de cores, como organizei a “arquitetura” das telas.
Customizar tablets e celulares virou um dos meus jeitos preferidos de criar algo bonito e útil ao mesmo tempo. Não é só escolher wallpapers bonitos: eu estudo onde colocar cada ícone, qual cor combina com qual, que widgets facilitam o uso para cada pessoa.
Faço isso para mim, mas também para minha mãe, meu pai e meu irmão. Gosto de perguntar a cada um qual cor gostam mais, quais aplicativos usam mais, o que deixam à vista ou escondido. Cada interface que crio é quase como um presente personalizado, feito sob medida para o jeito daquela pessoa viver e pensar.
Refletindo sobre isso, percebo que meu hiperfoco em organização está ligado à minha forma de amar. Organizar o tablet de alguém é minha forma de dizer: “Eu te vejo. Eu me importo com você.” E também é uma maneira de aprender sobre design gráfico, estética digital e acessibilidade, porque quero que tudo seja bonito, funcional e fácil de usar.
Sobre o meu quarto:
→ por que escolhi cores neutras, o que significa pra mim, como isso influencia o meu humor ou a minha criatividade.
Sempre fui muito sensível ao ambiente em que estou. Meu quarto, para mim, é meu refúgio, o lugar onde consigo pensar melhor e ficar calma. Escolhi cores neutras para as paredes e móveis porque sinto que cores muito fortes me cansam ou me deixam ansiosa.
Cada objeto que está ali — desde as mantas até os pequenos enfeites — tem um lugar pensado, tanto para ficar bonito quanto para não me sobrecarregar visualmente. Gosto de saber que posso entrar no meu quarto e imediatamente sentir paz, sem excesso de estímulos. Isso me ajuda muito a manter minha criatividade funcionando, principalmente quando estou desenhando ou estudando.
Organizar meu quarto me dá a sensação de que tenho algum controle sobre o mundo, mesmo quando lá fora tudo parece bagunçado. E percebo que meu quarto acaba sendo uma extensão do que eu sou por dentro: uma mistura de simplicidade, calma e detalhes delicados. Eu preparo moodboards, como esse abaixo, para me ajudar a selecionar o que eu vou adquirir. Quando meu novo quarto estiver pronto, eu compartilho aqui...
Sobre o meu guarda-roupa cápsula:
→ insights sobre a minha pesquisa de estilo, planejamento visual, uso de paletas cromáticas.
Organizar meu guarda-roupa virou quase um projeto de design para mim. Passei meses pesquisando sobre guarda-roupa cápsula: aprendi sobre tipos de corpo, cores que combinam entre si, peças versáteis. Achei fascinante descobrir como poucas roupas podem render mil combinações diferentes.
Não fiz isso só por estética, mas também porque às vezes me sinto confusa ou sobrecarregada se tenho muitas opções. Ter poucas peças, todas que eu amo, me faz sentir mais livre. É como se cada manhã ficasse mais simples e bonita ao mesmo tempo.
Percebo que, para mim, roupas não são só roupas. São uma forma de contar quem eu sou, mas também de me proteger do excesso de escolhas. Montar um guarda-roupa cápsula foi mais um jeito de unir meu amor por organização com meu desejo de expressar meu estilo de forma clara e prática.
Sobre a organização dos blogs:
→ o que eu levei em conta ao criar menus, cores, sequências de postagem, links cruzados etc.
Organizar os blogs que mantenho com a minha mãe e o Davi foi uma das coisas mais legais que já fiz. Não é só escrever posts — é planejar como tudo vai ficar conectado, qual vai ser o menu, que cores usar, onde colocar cada link para a pessoa conseguir navegar sem se perder.
Gosto muito de pensar na arquitetura digital, porque para mim um blog é como construir uma casa virtual. Quero que quem entra se sinta bem-vindo, que encontre tudo fácil, e que sinta que está num lugar bonito e calmo. Trabalho com a mamãe para organizar as categorias, as datas, as imagens, e com o Davi penso em como deixar o blog mais divertido ou interativo.
Percebo que, ao organizar os blogs, estou não só compartilhando meus estudos, mas também aprendendo a trabalhar em equipe e a escutar ideias diferentes das minhas. E vejo que minha habilidade de organização se conecta com meu jeito de querer que tudo faça sentido e fique belo — até na internet.
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